Preços da indústria sobem 0,12% em dezembro e fecham 2025 com queda de 4,53%

Análise dos Preços da Indústria em Dezembro

Os preços da indústria brasileira experimentaram um leve aumento de 0,12% em dezembro de 2025 em relação ao mês anterior, marcando uma interrupção no declínio observado no mês de novembro, que teve uma redução de -0,35%. Este resultado positivo foi influenciado principalmente pelo desempenho das indústrias extrativas e da metalurgia, que apresentaram aumentos significativos durante o mês. Esses dados são parte do Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação, publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Influência da Metalurgia nos Resultados

O IPP é uma métrica que avalia a variação dos preços de produtos na saída das fábricas, excluindo impostos e cujo impacto de frete não é considerado, refletindo assim o comportamento dos preços nas atividades industriais predominantes no Brasil. No mês de dezembro, as indústrias extrativas lideraram as altas, com uma variação de 3,13%, seguidas pela metalurgia com 2,24%, máquinas, aparelhos e materiais elétricos com 1,87%, e outros equipamentos de transporte que aumentaram em 1,74%. Esses números indicam pressões localizadas em setores específicos da indústria, particularmente as metalúrgicas, que tiveram uma influência significativa no crescimento do índice.

Setores Extrativos e seu Impacto Positivo

Embora o índice geral tenha mostrado crescimento, o setor de alimentos exerceu um impacto negativo importante sobre os resultados do mês. Segundo informações do IBGE, os produtos alimentícios contribuíram com -0,19 ponto percentual na variação de 0,12% da indústria como um todo. Outros setores que influenciaram os resultados incluem metalurgia, que teve uma contribuição positiva de 0,15 p.p., indústrias extrativas com 0,13 p.p., e produtos químicos que tiveram uma participação negativa de -0,09 p.p.. Esses fatores apontam para a complexidade das interações entre os diversos segmentos da indústria brasileira.

preços da indústria

O Papel Negativo do Setor de Alimentos

O desempenho do IPP em dezembro é indicativo das dinâmicas variadas que permeiam as indústrias. O gerente do IPP, Murilo Alvim, salientou que a variação mensal dos preços também reflete as flutuações da moeda. “Esse resultado não ocorreu de forma homogênea entre os setores; de 24 atividades analisadas, metade registrou aumentos e a outra metade quedas. A metalurgia foi a que teve o maior impacto positivo, impulsionada principalmente pelos preços elevados dos metais não ferrosos, especialmente ouro e cobre, que refletiram a valorização dessas commodities no mercado internacional, juntamente com a alta do dólar”, declarou Alvim.



Comportamento do Câmbio e sua Influência

No que diz respeito às oscilações do acumulado de 2025, a pesquisa destacou um crescimento acentuado na impressão de produtos, que teve um aumento de 16,63%. Em contraposição, os setores das indústrias extrativas, alimentos e madeira mostraram contrações significativas, com -14,39%, -10,47% e -9,85%, respectivamente. Ao se considerar o impacto no resultado anual, os setores de alimentos se destacaram negativamente, com -2,70 p.p., seguidos das indústrias extrativas (-0,69 p.p.), refino de petróleo e biocombustíveis (-0,56 p.p.) e metalurgia (-0,56 p.p.). Isso evidencia como certas categorias dentro da indústria têm um peso maior na composição geral dos índices.

Desempenho ao Longo de 2025: Uma Reflexão

Murilo Alvim comentou que a diminuição acumulada foi influenciada pela dinâmica de preços em setores cruciais. “O resultado negativo do indicador geral foi representado, em grande parte, pela indústria alimentícia, que viu sua margem impactada pelos preços em queda dos açúcares, refletindo a tendência no mercado internacional, assim como o setor extrativo, que teve suas cifras afetadas pela redução dos preços do petróleo bruto e pelos minérios de ferro, ocasionados por um aumento na oferta global durante grande parte do ano, contrabalançado por uma demanda mundial moderada”, afirmou ele.

Comparativo com o Ano Anterior

Em comparação com 2024, o desempenho de 2025 foi um divisor de águas. A indústria, que apresentava uma alta acumulada de 9,28% em 2024, registrou uma queda de 4,53% em 2025. Essa reversão de tendência não foi exclusiva ao índice geral; os bens intermediários e os bens de consumo também sinalizaram diminuições após previamente registrarem aumentos significantes no período anterior.

Mudanças em Segmentos Específicos da Indústria

Os bens de capital, por outro lado, mantiveram uma variação positiva, embora inferior ao que foi reportado em 2024, quando houve um acumulado de 7,20%. Dentro dos bens de consumo, os duráveis permanecem com crescimento, mas aquém dos níveis de 2024, enquanto os semiduráveis e não duráveis inverteram radicalmente sua trajetória, após um aumento de 12,74% no ano anterior.

Perspectivas para o Futuro da Indústria

Os resultados de dezembro reafirmam um panorama de desaceleração nos preços industriais ao longo de 2025, repercutindo de forma concentrada nas áreas de alimentos, extração mineral e derivados de petróleo. Em contraste, setores associados a commodities metálicas vivenciaram pressões ocasionais, beneficiadas pela valorização externa de produtos como ouro e cobre, além do desempenho do câmbio que parece desempenhar um papel fundamental neste cenário complexo.

Conclusões sobre a Variação de Preços

Perante esses dados, é evidente que o IPP de dezembro não apenas reflete a variação de preços da indústria num contexto imediato, mas também serve como um barômetro das tendências de longo prazo dentro do mercado industrial brasileiro. As pressões exercidas por diferentes segmentos se combinaram para moldar a dinâmica do índice de preços, sugerindo desafios futuros que a indústria poderá enfrentar na busca por estabilidade e crescimento sustentável nas próximas fases econômicas.



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