Aumento das restrições comerciais
O cobre e o alumínio se destacam como os metais mais impactados por novas restrições globais à exportação, superando as terras raras, que são frequentemente associadas a disputas geopolíticas significativas, especialmente entre China e Estados Unidos. Um levantamento realizado pela Global Trade Alert revelou a imposição de 55 restrições comerciais relacionadas ao cobre e 49 ao alumínio desde 2020, enquanto as terras raras enfrentaram 18 restrições. No total, 117 restrições foram identificadas, abrangendo 35 jurisdições entre fevereiro de 2020 e setembro de 2026, com 14 novas medidas sendo registradas somente neste ano.
Além disso, a pesquisa mostrou que a porcentagem de restrições comerciais dirigidas a materiais processados é alarmante, representando cerca de 85% do total, o que reflete uma tendência crescente dos países em limitar a exportação de produtos que já foram industrializados. As medidas cometidas não se restringem apenas a proibições simples, mas incluem exigências de licenciamento e cotas, o que impacta fortemente as cadeias de suprimento globais.
Cenário das terras raras
Apesar da atenção significativa que as terras raras recebem devido à sua relevância estratégica, elas aparecem em uma posição inferior quando se observa o número de restrições globais à exportação. As terras raras situam-se na 19ª posição entre 27 grupos de minerais críticos que enfrentam restrições. A China, embora represente apenas 20% do total de restrições identificadas, responde por 50% quando se considera especificamente as terras raras. Isso sublinha a importância do papel da China nas configurações de mercado global de minerais críticos.

Essas restrições têm como objetivo principal garantir a segurança nacional e impulsionar o processamento de recursos dentro das fronteiras nacionais. Por exemplo, desde 2020, a Indonésia implementou uma proibição à exportação de níquel em estado bruto para incentivar o processamento local, enquanto a China exigiu licenças para exportações de grupos específicos de terras raras, incluindo os utilizados na produção de ímãs permanentes. Essas ações demonstram uma estratégia clara de controle e fortalecimento das indústrias locais através da adoção de restrições globais à exportação.
Disputa geopolítica e suas ramificações
O aumento de restrições à exportação destaca não apenas a intensificação das relações geopolíticas, mas também a luta pela dominância em mercados críticos. A década recente viu um crescimento acentuado no número de restrições, refletindo uma busca cada vez mais agressiva por parte dos países em proteger recursos estratégicos. O impacto desta situação é palpável nas cadeias de suprimento globais, levando a uma volatilidade de preços e exacerbando a concentração em determinadas regiões ricas em minerais. O mapa das restrições se desenha principalmente entre a China, a Rússia e a Indonésia, que juntas representam quase 40% do total de medidas.
Essas tendências levantam preocupações sobre a segurança do abastecimento industrial e ressaltam a necessidade de estratégias adaptadas que considerem o cenário global contemporâneo. O avanço das restrições, conforme relatado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), indica que a situação poderia se agravar, conforme a entidade prevê um aumento contínuo nas restrições a partir de 2024.
Impacto nas cadeias de suprimento
A crescente implementação de restrições globais à exportação está diretamente relacionada ao esforço dos governos em garantir o abastecimento de suas indústrias. Esse movimento visa estancar a dependência de recursos externos, dando prioridade ao processamento mineral em território nacional e fomentando o desenvolvimento de cadeias locais. No entanto, a OCDE alerta que, se não forem geridos adequadamente, esses esforços poderão comprometer o abastecimento industrial e aumentar a volatilidade dos preços.
A nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil, sancionada recentemente, permite que o país adote medidas de controle que visem assegurar o valor agregado ao processamento mineral local. A legislação oferece possibilidades de regulamentação e estabelecimento de parâmetros que poderão aprimorar o controle sobre as exportações desses materiais, conforme o Brasil busca inserir-se mais competitivamente nesse complexo mercado global.


